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En Español


Federico García Lorca

Quinta-feira, 19.08.10

A 19 de Agosto de 1936, Federico García Lorca era assassinado pelo fascismo de Franco.
Leiamos a sua poesia.

fjs

O poeta pede a seu amor que lhe escreva

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

*

[...] Era inevitável que o resgate dos restos de Federico García Lorca, enterrado como milhares de outros no barranco de Viznar, na província de Granada, se tivesse convertido rapidamente em autêntico imperativo nacional. Um dos maiores poetas de Espanha, o mais universalmente conhecido, está ali, naquele páramo, aliás em um lugar acerca do qual existe praticamente a certeza de ser a fossa onde jaz o autor do Romancero Gitano, junto com três outros fuzilados, um professor primário chamado Dióscoro Galindo e dois bandarilheiros anarquistas, Joaquín Arcollas Cabezas e Francisco Galadí Melgar. Estranhamente, porém, a família de García Lorca sempre se opôs a que se procedesse à exumação. Os argumentos alegados relacionavam-se, todos eles, em maior ou menor grau, com questões que podemos classificar de decoro social, como a curiosidade malsã dos meios de comunicação social, o espectáculo em que se iria tornar o levantamento das ossadas, razões sem dúvida respeitáveis, mas que, permito-me dizê-lo, perderam hoje peso perante a simplicidade com que a neta de Dióscoro Galindo respondeu quando, em entrevista numa estação de rádio, lhe perguntaram aonde levaria os restos do seu avô, se viessem a ser encontrados: “Ao cemitério de Pulianas”. Há que esclarecer que Pulianas, na província de Granada, é a aldeia onde Dióscoro Galindo trabalhava e a sua família continua a morar. Só as páginas dos livros se viram, as da vida, não.

José Saramago, in O Caderno de Saramago

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publicado por Fundação Saramago às 11:13

90 Anos, 90 Palavras

Quarta-feira, 18.08.10

Hoje, 18 de agosto, começa uma contagem para os 90 anos de José Saramago. Faltam 90 dias para que chegue a festa do do seu aniversário e queremos que cada dia seja assinalado com uma palavra e um breve comentário a essa palavra. Convidamos os nossos leitores a enviarem as suas propostas através das redes sociais ou através de correios eletrónicos.

1.ª palavra

A primeira escolhida é BLIMUNDA, nome de mulher, protagonista de Memorial do Convento, que recebeu Baltasar no seu corpo quando ambos viveram o seu amor e, também, quando a Inquisição o matou. Então Blimunda disse "Vem" à vontade de Baltasar e o seu espírito "não subiu para as estrelas, se à terra pertencia e a Blimunda". Hoje Blimunda, com tudo o que acolhe de sabedoria e generosidade pertence aos leitores da obra de Saramago. Blimunda é a primeira palavra para festejar Saramago.

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publicado por Fundação Saramago às 17:59

No ano da morte de José Saramago

Segunda-feira, 16.08.10

No ano da morte de José Saramago
A Pilar del Río

O coração aquece o suco prenhe dos cavalos
e de outros animais. Apenas para iludir
ou amedrontar as pequenas memórias do amor.

É aí nesse espaço e não em todos
os caminhos do pó e da lama
infernais
que Blimunda e Baltazar acariciam o pojo
como dois desnudos seres disputando o sol
pela boca dos mais secretos desejos
em busca de todos os líquidos silêncios
do templo e dos múltiplos espaços inaudíveis.

Esses que traçam a sua própria peleja
de vozes. Um deus cheio de pústulas doiradas
pois o fogo imita nos corpos a eternidade da lágrima
que se oculta na sombra inclinada dos círios.

O narrador chega do branco horizonte dos lugares
da azinheira porque ainda não queria morrer
antes das colheitas das águas frescas
que já não desaguam. Mas Blimunda disse: Vem!

E a sílaba acreditou que a morte é lilás
como o amor. E que se há-de perdurar pelo clarão
de coisas assim. Eternamente lilases. A sílaba possível!

Então o narrador despediu-se das palavras rubras
abraçando-as uma por uma até a noite ser queimadura.

João Rasteiro
2010

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publicado por Fundação Saramago às 07:55

Das Tagebuch

Sábado, 14.08.10

fjs

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publicado por Fundação Saramago às 05:27

Morreu Ruy Duarte de Carvalho

Quinta-feira, 12.08.10

fjsNascido em Portugal, naturalizou-se angolano em 1983 por motivos que, como explica no catálogo do ciclo que o Centro Cultural de Belém lhe dedicou em 2008, se prendem com o sentimento, de que teve consciência aos 12 anos, depois de a sua família ter emigrado para Moçâmedes (Angola), de que tinha ali a sua "matriz geográfica".

No mesmo texto, reproduzido na página da sua editora de sempre, Livros Cotovia, explica: "Lembro-me de ter nascido, ou então de ter mudado inteiramente tanto de alma como de pele, pelo menos uma meia dúzia de vezes ao longo da vida e nenhuma delas foi lá onde terei, pela primeira vez, dado conta da luz do mundo. De que havia uma matriz geográfica que essa é que me dizia de facto muito intimamente respeito pela via quem sabe de uma qualquer memória genética, dei conta aos doze anos - lembro-me sempre de cada vez que ainda por lá passo e se calhar é para isso que ando sempre a ver se passo por lá – a comer pão e com um ataque de soluços no meio do deserto de Moçâmedes, por alturas do Pico do Azevedo. E de que havia uma razão de Angola que colidia com a razão de Portugal, disso dei definitivamente conta já a trabalhar nas matas do Uíge quando, em março de 1961, eclodiu a sublevação nacionalista no norte de Angola."

No mesmo texto, o escritor e ensaísta explica a sua experiência da independência de Angola: "Acabei por voltar a Angola em 1974 e por passar a noite de 10 para 11 de Novembro de 1975 no município do Prenda, em Luanda, a filmar às zero horas, que foi uma hora zero, a bandeira portuguesa a ser arreada e a de Angola a subir no mastro".

Em 1989 recebeu o Prémio Nacional de Literatura e o seu "Desmedida Luanda, São Paulo, São Francisco e Volta, Crónicas do Brasil" (Livros Cotovia), recebeu o Prémio Literário Casino da Póvoa, atribuído no âmbito do encontro Correntes d'Escritas na Póvoa de Varzim, em 2008.

A sua formação passou pela Escola de Regentes Agrícolas de Santarém, pelo curso de realização de cinema e televisão em Londres (realizou filmes para a TV angolana e para o Instituto do Cinema de Angola) e pelo doutoramento pela École de Hautes Études en Sciences Sociales de Paris com uma tese dedicada aos pescadores da costa de Luanda, com o título "Ana a Manda" (1989).

Foi professor das universidades de Luanda, Coimbra e São Paulo, além de ter sido professor convidado da Universidade de Berkeley, na Califórnia, e realizou dos filmes "Nelisita: narrativas nyaneka" (1982) e "Moia: o recado das ilhas" (1989).

É autor de "Vou lá visitar pastores" (1999), da poesia de "Chão de Oferta" (1972) ou "A Decisão da Idade" (1976) - a sua poesia está reunida em "Lavra" (2005). Assinou ainda os diferentes estilos de "A Câmara, a Escrita e a Coisa Dita... Fitas, Textos e Palestras" (2008), "Actas da Maianga" (2003), "Os Papéis do Inglês", "As Paisagens Propícias" (2005) e descrevia a sua obra como "meia-ficção-erudito-poéticoviajeira".

Em 2008, Rui Guilherme Lopes adaptou a obra "Vou lá visitar pastores" (1988), sobre os Kuvale, uma sociedade pastoril do sudoeste de Angola, encenada e interpretada por Manuel Wiborg e que esteve em cena noTeatro A Barraca, na Culturgest, no FITEI (Porto), no Festival de Almada e no Festival de Agosto em Maputo, Moçambique.

De acordo com a sua editora de sempre em Portugal, a Cotovia, a sua obra "Vou lá visitar pastores" está editada no Brasil pela Gryphus, "As actas da Maianga" foi editado em Angola pela Chá de Caxinde , que também editou "Os Papéis do Inglês", obra que chegou ao Brasil pela Companhia das Letras e a Itália pela La Nuova Frontiera.

Fonte: publico.pt

*

Autobiografia de Ruy Duarte de Carvalho


Mas acho que também aprendi, entretanto, a rir-me de mim mesmo, das minhas incompetências congénitas e do mau-feitio que neste mundo sou evidentemente o único a ter. E tem uns intervalos em que tudo parece ficar virginalmente vivável, bom e bonito, conforme pensa a onça quando, segundo Guimarães Rosa, não teme nada e vai, guiada só pela alma que tem. [Continuar a ler]

Fonte: visao.pt

*

Da África do Sul à contracosta, com Ruy Duarte de Carvalho

Ninguém, à excepção do Ruy Duarte de Carvalho, sabia grande coisa sobre a África do Sul para além das suas tensões recentes. É ele que vai à frente nesta viagem de 13 dias e seis mil quilómetros, portanto, e logo a seguir os seus jovens amigos: o Luhuna, que ia recolhendo numa câmara materiais de observação directa; Miguel Carmo, certeiro nas impressões e navegações espaciais; e as Martas -a Mestre que ia avivando a conversa, e a outra Marta, esta que vos escreve, gerindo a logística de uma viagem redonda, de Joanesburgo a Joanesburgo, do interior à costa pela outra costa, deixando de fora a província do Cabo Oriental, berço de lutadores anti-apartheid, ainda assim presente nas histórias de bordo. [Continuar a ler]

Marta Lança

Fonte: publico.pt

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publicado por Fundação Saramago às 17:47

"O Conto da Ilha Desconhecida" publicado numa antologia de contos na Alemanha

Quinta-feira, 12.08.10

A editora alemã Insel publicou em 2003 uma antologia de contos relacionados com a fantasia, reunindo mais de 80 escritores de todo o mundo, do Japão à Colômbia, da Rússia a Portugal, da Índia à Argentina. "Der Phantasie sind bekanntlich keine Grenzen gesetzt. Das gilt, wie anders, auch für die Phantasie der Märchen.", assim começa a apresentação de Hans-Joachim Simm, responsável pela coordenação desta antologia. José Saramago junta-se a autores como Antoine de Saint-Exupéry, Oscar Wilde, Hans Christian Andersen, Rainer Maria Rilke, Hermman Hesse, Franz Kafka, Vladimir Nabokov, Jorge Luis Borges, Mark Twain, apenas para mencionar alguns.

 

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publicado por Fundação Saramago às 11:15






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