Novembro, mês de Saramago

Este mês de Novembro, no dia 16, José Saramago cumpriria 88 anos. Cumpriu-os, porque José Saramago continua a habitar em muitos leitores e, como alguém disse, também nos corações das pessoas, para além de na bibliotecas. Por todo o mundo estão a realizar-se actos, dos quais demos e damos conta. Aqui ficam alguns:
Estreia de José e Pilar em Espanha
27 de Novembro, Festival de Cinema de Ronda
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Concerto de apresentação da banda sonora do filme José e Pilar
18 de Novembro, 24 Horas
Lux - Frágil
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Estreia de José e Pilar em Portugal
18 de Novembro
* Anna Karenina
Leitura da tradução de José Saramago
18 de Novembro, 18 Horas
Seguindo o hábito de cada dia 18, até que se cumpram nove meses sobre a sua morte, os amigos e leitores de Saramago reuniram-se na Biblioteca Palácio das Galveias para, 100 anos depois do desaparecimento de Leon Tolstói, ler a tradução que do grande autor russo fez Saramago. Foram lidos fragmentos de Anna Karenina
* Saramago en sus intervenciones públicas Granada, 18 de noviembre
Organización de la Asociación de la Prensa de Granada
La Asociación de la Prensa de Granada se unió a la serie de celebraciones que se están llevando a cabo en el mundo cada día 18, cuando se cumple un mes más de la muerte de José Saramago.
* Ante-estreia do filme José e Pilar
16 de Novembro, 22 Horas
Cinema São Jorge (Sala 1)
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Inauguração da Sala José Saramago na Biblioteca Municipal Palácio Galveias (Lisboa) * Lançamento do livro José Saramago nas Suas Palavras
15 de Novembro, 18 Horas, Palácio das Galveias
A sessão contou com intervenções de Fernando Gómez Aguilera e
Clara Ferreira Alves. Pedro Lamares leu excertos do livro.
* Saramago recordado pela filha Violante
Numa entrevista à agência Lusa na semana em que completaria 88 anos, Violante Saramago Matos diz que “ser filha de José Saramago é um peso enorme, uma grande honra e um grande orgulho, que tem de dosear para não se deixar afogar na sua dimensão”
Casa de José Saramago em Lanzarote será uma "casa-museu" vivida com cheiro a café português
Entrevista de Pilar del Río
P2, Público
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"A Fundação tem de ser tão incómoda como Saramago o era"
Entrevista de Pilar del Río
Única, Expresso
Outras iniciativas:
Comemoração do aniversário de José Saramago
Exibição de Ensaio Sobre a Cegueira
16 de Novembro
Integrado nas I Jornadas Descobrindo Culturas em Língua Portuguesa,
Córdoba, Argentina
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Sessão de lançamento do livro
José Saramago - Da Cegueira à Lucidez, de António José Borges
16 de Novembro, 18.30 Horas
Livraria Leya CE Bucholz
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José Saramago em Nápoles
16 de Novembro, 16.30 Horas
Sala Villani, Nápoles
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Noite de Abraços
Homenagem a José Saramago
16 de Novembro, 16.30 Horas
Teatro Avenida, Maputo
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Cadeia de leitura em homenagem a Saramago
16 de Novembro
Vinte países em África, América do Norte, América do Sul, Ásia e Europa
Organização do Instituto Camões
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Conferência José Saramago e o sentido da história
Representação da Peça de Teatro Memorial do Convento
12 de Novembro, Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra
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Conferência sobre José Saramago
Salão do Livro de Argel
05 de Novembro
Com a presença do Professor Carlos Reis
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Estreia de José e Pilar nas salas de cinema brasileiras
05 de Novembro
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Sessão comemorativa do 30.º Aniversário da publicação de Levantado do Chão
04 de Novembro, 18 Horas, Casa do Alentejo
Organização: Partido Comunista Português

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"Novembro, Mês de Saramago",
Mafra
Uma iniciativa bela e dinâmica que poderão seguir dia a dia a partir deste link. O primeiro nome convidado é o de Pilar del Río. Esta é a sua colaboração:
Saramago escrevia como se fosse um camponês: preparava a terra, adubava-a, limpava-a, semeava. Tudo a seu tempo, duas páginas por dia, sem impaciências, sem omitir um sulco, uma responsabilidade. Às vezes tinha que deixar descansar a terra, e então aproveitava para pôr em dia a correspondência com os amigos, tarefa nunca acabada, lia, relia, ia às escolas e às universidades que insistentemente solicitavam a sua presença, como em Mafra, apresentava livros em países que lhe eram mais próximos emocionalmente, militava, ainda que este militar, militar como cidadão, fosse, como o pão, coisa de cada dia. Saramago não desfalecia nunca, por isso os seus livros têm, como a espiga colhida, tanto para dar de comer. Que é uma necessidade de todos, comer, ler.
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90 anos, 90 Palavras (67)
Filho da puta
Gostava de sugerir as palavras "filho da puta" visto que foram das mais polémicas que o escritor colocou num livro, falo de Caim em concreto.
Penso que é muito importante estas palavras entrarem na rúbrica 90 Anos 90 Palavras visto que são palavras de coragem, palavras de alerta e um grito de exaltação de um homem que faz muita falta ao mundo.
Com o desaparecimento do José Saramago desapareceu uma mente ímpar e sapiente que usava o cérebro para "peneirar" o mundo e a boca para "ralhar" com ele. Dizia o que pensava sem rodeios ou politicamente correto, falava o que necessitamos ouvir e até ao fim lutou por um mundo melhor.
Cláudio Cruz
Arquiteto
Vila da Feira
Portugal
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90 anos, 90 Palavras (66)
Jeito
Palavra portuguesa de uso comum na minha comarca fronteiriça com Portugal, país por tantas razões próximo. O jeito que demonstraram José e Pilar. José, ao deixar-nos a sua palavra e o seu exemplo: palavra de que disfrutamos e que nos incita a pensar; exemplo de homem de bem e mestre de verdade. Pilar, pela maneira como preenchia a sua vida preenchendo e enriquecendo o mundo do mestre.
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90 anos, 90 Palavras (65)
Circunlóquio
No texto encimado pelo título "Circunlóquios e evidências", José Saramago defendeu a divulgação rigorosa dos factos, "por mais desagradável que tenham a cara", sem recurso a "arabescos" que distraiam ou afastem o leitor. Para o insigne romancista, além de informativa, como se exige, a notícia deve ser precisa, directa e objectiva. Importa, ainda, que se apresente despojada de circunlóquios, isto é, sem palavras imprecisas ou inúteis, nem rodeios.
Esta sua lição encontra-se hospedada, há exactamente 40 anos, na revista Seara Nova. "É uma espécie de ressurreição", tal qual a definiu Saramago ao relê-la. Foi em 2008, aquando de um pedido de autógrafo, algo que a sua infatigável generosidade nunca recusou.
"Ainda hoje me pergunto" – disse, na altura, o autor – "como é que a censura deixou passar este texto, em 1972?" O caso não era para menos, já que a força pendia quase toda para o "outro lado". Convinha ao regime usar e abusar de toda a sorte de circunlóquios, com as mais variadas e perifrásticas feições, para mascarar a humilhante realidade portuguesa.
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Homenagem a Gonzalo Torrente Ballester
O Instituto Cervantes de Lisboa convida a participar no dia 3 de Novembro às 18h30 no Auditório do Instituto Cervantes de Lisboa à “Homenagem a Gonzalo Torrente Ballester” no primeiro centenário do seu nascimento e celebra a designação, há cinco anos, da sua Biblioteca com o nome de “Biblioteca Torrente Ballester”.
O programa de actos inclui uma exposição bibliográfica dos fundos da rede de bibliotecas do Instituto Cervantes, com obras editadas em línguas estrangeiras; projecção de audiovisuais e uma mesa redonda que conta com as seguintes intervenções:
António Gonçalves, tradutor - Por el ala de un sombrero. Traduciendo a Torrente
Miguel Viqueira, romancista, tradutor, ensaísta, amigo e discípulo de Torrente Ballester - Lembrando a Torrente Ballester
Inês Espada Vieira, Doutorada em estudos de Cultura pela Universidade Católica Portuguesa, com uma tese sobre os artigos jornalísticos de Gonzalo Torrente Ballester - A vocação jornalística de Gonzalo Torrente Ballester
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90 anos, 90 Palavras (64)
Parábola
E se todos os votos fossem em branco?
Se um elefante cruza as mesetas cobertas de neve por capricho de um rei?
E se já ninguém atravessasse as águas do Letes?
Se uma cidade inteira for condenada à cegueira, exceto uma mulher?
A peninsula Ibérica desprende-se da Europa e começa a navegar pelo Atlântico.
Verónica Aranda
Poeta e tradutora
Madrid, Espanha




