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Morreu Moacyr Scliar

Domingo, 27.02.11

fjsMoacyr Scliar, também médico especialista em Saúde Pública, encontrava-se internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre e segundo o boletim médico citado pelo jornal brasileiro O Diário morreu na sequência de uma falência orgânica múltipla.

O escritor estava internado desde o passado dia 11 de Janeiro para ser submetido a uma cirurgia para extracção de tumores no intestino. Na sequência da operação sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e acabou por não resistir às complicações que surgiram.

Moacyr Scliar nasceu em Porto Alegre, a 23 de Março de 1937, e, apesar da sua formação em medicina, deixa um legado de mais de 70 livros. Em 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. O escritor foi galardoado três vezes com o prémio Jabuti, em 1988, em 1993 e em 2009. Em 1989 recebeu o prémio da Associação Paulista de Críticos de Arte e, nesse mesmo ano, a distinção da Casa de las Americas.

Em Fevereiro de 2009, Moacyr Scliar esteve em Portugal para participar no Correntes d'Escritas, o encontro literário da Póvoa de Varzim onde se cruzam vários sotaques e línguas e cuja edição de 2011 terminou precisamente ontem. João Paulo Cuenca, que está em Portugal a lançar o seu último romance e esteve a participar este sábado no encontro de escritores de expressão ibérica esteve com Moacyr Scliar há pouco tempo. Os dois participaram num festival literário em Minas Gerais e estiveram juntos numa mesa com um moderador.

"Fiquei impressionado, como é que um escritor com dezenas de livros publicados, ele dizia que eram 80, continuava com tanta vitalidade a escrever, a publicar e participar de debates e mesas com a paciência e com a generosidade que ele tinha com novatos como eu", disse ao PÚBLICO o escritor carioca. Nessa altura os dois jantaram juntos e ficaram amigos. "Moacyr parecia muito mais saudável do que eu mesmo, por isso é chocante ele ter morrido".

A banana de Porto Alegre

No encontro da Póvoa de 2009 Scliar, também autor de “A mulher que escreveu a Bíblia” (ed. Livros de Seda), contou que o seu pai emigrou para um país desconhecido quando tinha dez anos. Saiu da Rússia no período da guerra civil que se seguiu a 1917, meteu-se num navio em direcção ao Brasil, atravessou o oceano e foi parar ao Rio Grande do Sul.

Não fazia a mínima ideia do que o esperava. Chegou a um país completamente desconhecido mas isso não o impedia de ver o Brasil como uma coisa maravilhosa.

Sonhava com o clima ameno, com um país de gente amável e com as frutas. Nunca tinha visto um abacaxi, nunca tinha visto uma manga, nunca tinha visto uma banana. E foi apresentado a uma banana, exactamente no dia em que chegou a Porto Alegre.

Quando embarcou, o pai de Moacyr já era “um menino magrinho”. No barco passou fome, ficou um esqueleto. E quando finalmente o navio atracou na cidade, desembarcou. A população inteira de Porto Alegre estava no cais à espera do barco que trazia os europeus e um gaúcho percebeu que o pai de Moacyr tinha fome e ofereceu-lhe uma banana. “O meu pai imaginou que era uma coisa para comer. Mas não tinha sido treinado para comer banana e, como não falava português, ficou com perplexidade a mexer na banana”, disse o também médico Moacyr Scliar.

Descobriu então que a banana se descascava, tal como a laranja. Imaginou que seria igual e que teria também casca e caroços. “Ao descascar a banana apareceu uma coisa que ele pensou que era o caroço da banana. E jogou fora o caroço. Comeu a casca de banana até ao fim para surpresa do gaúcho”, continuou o escritor a quem até morrer, já depois dos 80 anos, o pai disse sempre: “Casca de banana não é tão ruim como a gente pensa”. Para Moacyr Scliar, o escritor é “o emigrante que vê a banana e que come a casca” e a tarefa da literatura é “transformar o desconhecido em magia”.

*

O final da história

Luiz Schwarcz

Na madrugada de hoje, Moacyr Scliar descansou, depois de cinquenta dias de luta pra viver — provavelmente para poder escrever mais livros, ajudar os amigos e amar seus familiares. Hoje, à uma hora da manhã, quando Scliar se despedia da Judith, do Beto e de todos nós, eu me encontrava no casamento de minha sobrinha. Casamento judaico, com tudo o que o caracteriza: solidéus brancos na cabeça dos convidados, a tenda que chamamos de hupá, as bênçãos do rabino, o copo quebrado pelo noivo com o pé, a dança com o casal erguido nos ares pelos amigos… Nesta madrugada, quando meu grande amigo Moacyr se despediu, eu dançava pela alegria da minha sobrinha Renata. Aquela bem podia ser uma cena de algum romance do Moacyr, a festa de casamento judaico, o narrador suado, dançando de braços abertos enquanto um de seus melhores amigos falecia.

Infelizmente a cena não será descrita por Scliar; mais nenhuma cena terá sua descrição generosa e precisa. Nenhuma surpresa saíra de suas mãos, e nós todos teremos que nos conformar com uma vida com menos imaginação. Se havia um quesito no qual Moacyr era mestre era neste: sua imaginação trabalhava sem parar, a serviço da alegria, ou vice versa. Scliar tinha um olhar único, com ele criava um mundo fantástico no qual o humano estava sempre a serviço da literatura.

A cena do editor se divertindo, como manda a tradição, enquanto o seu grande amigo escritor falecia, bem podia ser obra do Moacyr. Seria tão melhor que assim fosse. Nas mãos do Scliar esta história teria algum final feliz, ou um desfecho tão engenhoso, que só ele saberia dar.

Luiz Schwarcz é escritor e editor da Companhia das Letras

*

A 18 de Junho de 2010, Moacyr Scliar escrevia um emocionado depoimento aobre a morte de José Saramago, que aqui reproduzimos em homenagem ao Escritor que agora nos deixou:

fjs"José Saramago, com quem convivi em muitos lugares, em Porto Alegre, em outras capitais brasileiras, no exterior, era não apenas um grande escritor, não apenas um intelectual militante, como também um ser humano. De seu trabalho literário dão testemunho o Nobel que recebeu, e que projetou o nosso idioma no mundo, como, sobretudo, a qualidade de sua obra literária. Saramago era, como Jorge Amado e Érico Veríssimo, um grande narrador, um narrador que não recusava o humor satírico e a fantasia, um exemplo disso sendo o notável Jangada de Pedra, uma história que bem poderia figurar como exemplo do realismo mágico que, numa época, caracterizou a literatura latino-americana"

"Saramago era também um comunista de carteirinha, uma posição a que chegou em grande parte por ter origem humilde (foi operário) e por ter vivido sob uma das ditaduras mais persistentes da modernidade, o regime salazarista. E, finalmente, era uma grande pessoa, um homem sensível, afetivo. Vai me deixar muitas saudades"

Fonte: publico.pt
Fonte: Blogue da Companhia das Letras 

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publicado por Fundação Saramago às 12:24

Concurso de fotografia "Uma imagem contra..."

Terça-feira, 22.02.11

fjsA Associação Abril, fundada a 10 de Maio de 1986 na sequência da candidatura de Maria de Lurdes Pintasilgo à Presidência da República, promove um concurso de fotografia que pretende incentivar a reflexão sobre os valores que a revolução do 25 de Abril de 1974 proporcionou. Integrado no Festival dos Cravos de Abril – 2011, este concurso procura também promover o respeito pelos direitos humanos e contribuir para o desenvolvimento da democracia participativa e comunitária. Para tal convidam-se jovens e adultos, divididos em dois escalões, dos 18 aos 25 e a partir dos 26 anos, a fotografar temas como a indiferença, a violência, a injustiça, a pobreza, a intolerância, entre outros, enquadrados na temática geral dos Direitos Humanos.

O regulamento pode ser consultado no blogue da Associação:
Associação Abril - Concurso de Fotografia 

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publicado por Fundação Saramago às 08:30

L'Últim Quadern - Espanha

Terça-feira, 22.02.11

fjs

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publicado por Fundação Saramago às 06:55

Haidar pide a España que asuma su responsabilidad con el pueblo saharaui

Domingo, 20.02.11

fjsLa presidenta del Colectivo de Defensores Saharauis de los Derechos Humanos, Aminatou Haidar, afirmó ayer que España debe asumir su responsabilidad hacia el pueblo saharaui y buscar una solución definitiva al conflicto para construir un Magreb en paz, en la que podrían trabajar "conjuntamente" saharauis y marroquíes.

Antes de participar en una jornada de Derechos Humanos organizada por la Asociación de Amistad con el Pueblo Saharaui de Sevilla, Haidar declaró que "terminar con el sufrimiento del pueblo saharaui es un buen futuro también para el pueblo marroquí", ya que, "conjuntamente, ambos pueblos pueden jugar un papel muy importante para construir un Magreb unido que pueda vivir en paz".

Haidar, que presentó un informe sobre el desmantelamiento del campamento de Gdeim Izik, explicó que, después de los hechos ocurridos en El Aaiún, hay "discriminación" y "ha subido mucho el odio por parte de los colonos marroquíes hacia los saharauis", algo que personalmente lamenta mucho, "porque no puede ayudar a mantener la paz y buscar una solución al conflicto".

Según la activista saharaui, el papel de España en esta situación debe ser el de "respetar la voluntad de los pueblos árabes y no minimizar su capacidad", además de "respetar sus principios, que son los de la defensa de los pueblos", así como "acabar con el apoyo a las dictaduras".

Coraje y voluntad

Sobre las recientes revueltas democráticas ocurridas en países como Egipto y Túnez, Haidar manifestó que se produjeron "gracias a la determinación de los pueblos", a los que felicitó por "el coraje y la voluntad que han mantenido durante semanas hasta que los dictadores se han ido", lo que, a su juicio, demostró que, "cuando el pueblo quiere algo, puede lograrlo", por lo que los países occidentales "no pueden decidir su futuro".

Pie de foto: Aminatou Haidar (Izquierda) abraza a la periodista y viuda de José Saramago, Pilar del Río, que recogió en Sevilla el Premio a la Solidaridad Juan Antonio González Caraballo, otorgado al escritor portugués. EFE

Fuente: diariodenavarra.es

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publicado por Fundação Saramago às 16:44

"Budapeste" nos ecrãs de cinema

Quinta-feira, 17.02.11

Com co-produção brasileira, portuguesa e húngara, o filme realizado por Walter Carvalho adapta ao cinema o romance Budapeste, de Chico Buarque. No Brasil, o livro foi publicado pela Companhia das Letra e em Portugal pelas Edições Dom Quixote.

Aqui fica o trailer oficial:

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publicado por Fundação Saramago às 07:39

"Ensaio sobre a Lucidez": O romance dos cidadãos conscientes do seu poder

Segunda-feira, 14.02.11

fjs

Que acontece quando os cidadãos decidem enfrentar os sátrapas? E quando exigem dignidade aos partidos e aos seus dirigentes? Sair para a rua para expressar uma opinião é um acto revolucionário ou um dever cívico? Trata-se de subversão ou de valorizar conceitos que parecem esquecidos como a dignidade e a transparência democrática?

Tunísia, Egipto, Itália, para não ir mais longe. Três lugares onde estes dias as pessoas mais conscientes decidiram tomar a palavra e fazê-lo de forma clara, rotunda, pacífica, com argumentos sustentados em leis internacionais. Contra todas as formas de iniquidade, contra os que abusam do poder que supostamente receberam do povo, ou que dele se apropriaram com medidas coercivas, os que fazem do parlamento uma camarilha para dar um ar de legalidade a manobras turvas, os que não respeitam os cidadãos e que das cidadãs pretendem fazerfjs mercadoria, os que pensam que a sociedade é lixo e pode aceitar em silêncio toda a merda que se lhe deite em cima, contra esses reagiram os que pensam, sentem e respeitam, homens e mulheres corajosos e íntegros que não aceitam subornos nem seguem ditames ilegais, que são estão conscientes do seu valor e da universalidade dos Direitos Humanos. Esses homens e mulheres foram retratados por José Saramago em Ensaio sobre a Lucidez, um livro cada vez mais imprescindível e actual.

A Fundação José Saramago propõe leituras públicas deste romance que, sendo ficção, é também uma reflexão sobre o valor de cada cidadão e do colectivo a que chamamos sociedade. Num país sem nome e em dia de eleições, a vontade dos eleitores expressa-se nas urnas. Mas o resultado não agrada ao poder que, escudando-se numa série de decisões arbitrárias, decide dar uma lição, sem se dar conta de que os cidadãos não perdem nem abdicam do seu poder ao introduzir o voto nas urnas. Por isso não se resignam, não aceitam a manipulação, mantêm-se com dignidade diante da violência do Estado, da provocação dos mandantes, da cumplicidade dos meios de comunicação. E sucedem-se episódios diversos, uns dirigidos pelo poder para amedrontar, outros, espontâneos, de pessoas que não se resignam a ser estatística, que reclamam o direito e o dever de organizar o presente e o futuro dos seus países sem sátrapas, sem demagogos, sem meios de comunicação parciais que encontram sempre a explicação para os desmandos dos poderosos. Como se está a passar hoje em dia em tantas partes do mundo.

Ensaio sobre a Lucidez é uma ficção mas também um retrato. É um romance, talvez um ensaio com personagens, acima de tudo o desejo explícito do autor que ansiava pela participação efectiva na coisa pública por parte de todos, que reclamava os deveres e direitos nos códigos e nas consciências. Para que a vida seja mais habitável. Se no-lo permitirem, consegui-lo-emos.

Alguns momentos do romance:

Como no Cairo

Às onze horas a praça já estava cheia, mas ali não se ouvia mais que o imenso respirar de multidão, o surdo sussurro do ar entrando e saindo dos pulmões, inspirar, expirar, alimentando de oxigénio o sangue destes vivos, inspirar, expirar, inspirar, expirar, até que de repente, não completemos a frase, esse momento, para os que aqui vieram, sobreviventes, ainda está por chegar. Viam-se inúmeras flores brancas, crisântemos em quantidade, rosas, lírios, jarros, alguma flor de cacto de translúcida alvura, milhares de malmequeres a quem se perdoava o botãozinho negro do centro. (PP. 136-137)

fjs

Papéis

algo de estranho tinha acontecido na cidade, estes homens e estas mulheres que andam a distribuir uns pequenos papéis que as pessoas param a ler e logo guardam no bolso, agora mesmo acabaram de entregar um ao comissário, e é a fotocópia do artigo do jornal apreendido, aquele que tem o título de Que Mais Nos Falta Saber, aquele que nas entrelinhas conta a verdadeira história dos cinco dias, então o comissário não consegue reprimir-se, e ali mesmo, como uma criança, desata num choro convulsivo, uma mulher da sua idade vem perguntar-lhe se se sente mal, se precisa de ajuda, e ele só pode acenar que não, que está bem, que não se preocupe, muito obrigado, e como o acaso às vezes faz bem as coisas, alguém de um andar alto deste prédio lança um punhado de papéis, e outro, e outro, e cá em baixo as pessoas levantam os braços para agarrá-los, e os papéis descem, adejam como pombos, e um deles descansou por um momento no ombro do comissário e resvalou para o chão. Afinal, ainda nada está perdido, a cidade tomou o assunto nas suas mãos, pôs centenas de máquinas fotocopiadoras a trabalhar, e agora são grupos animados de raparigas e de rapazes que andam a meter os papéis nas caixas de correio ou a entregá-los às portas, alguém pergunta se é publicidade e eles respondem que sim senhor, e da melhor que há.

fjs

fjs

Anúncio nas rádios e televisões

Era o prenúncio do terramoto político que não tardaria a produzir-se. Nas casas, nos cafés, nas tabernas e nos bares, em todos os lugares públicos onde houvesse uma televisão ou um rádio, os habitantes da capital, mais tranquilos uns que outros, esperavam o resultado final do escrutínio. (P. 137)

fjs

fjs

Retirada do Governo

O plano de retirada a que finalmente se chegou era uma obra-prima de acção táctica, consistindo basicamente numa bem estudada dispersão dos itinerários com vista a dificultar ao máximo con-centrações de manifestantes acaso mobilizados para expressar o desgosto, o descontentamento ou a indignação da capital pelo abandono a que ia ser votada. Haveria um itinerário exclusivo para o chefe do estado, mas também para o primeiro-ministro e para cada um dos membros do gabinete ministerial, num total de vinte e sete percursos diferentes, todos sob a protecção do exército e da polícia, com carros de assalto nas encruzilhadas e ambulâncias na cauda dos cortejos, para o que desse e viesse. O mapa da cidade, um enorme painel iluminado sobre o qual se trabalhou arduamente durante quarenta e oito horas, com a participação de comandos militares e policiais especializados em rastreios, mostrava uma estrela vermelha de vinte e sete braços, catorze virados ao hemisfério norte, treze apontando ao hemisfério sul, com um equador que dividia a capital em duas metades. Por esses braços se haveriam de encanar os negros automóveis das entidades oficiais, rodeados de guarda-costas e olqui-tolquis, vetustos aparelhos ainda usados neste país, mas já com orçamento aprovado para modernização.

Então, ó surpresa, ó assombro, ó prodígio nunca visto, primeiro o desconcerto e a perplexidade, depois a inquietação, depois o medo, filaram as unhas nas gargantas do chefe do estado e do chefe do governo, dos ministros, secretários e subsecretários, dos deputados, dos seguranças dos camiões, dos batedores da polícia, e até, se bem que em menor grau, do pessoal das ambulâncias, por profissão habituado ao pior. À medida que os automóveis iam avançando pelas ruas, acendiam-se nas fachadas, umas após outras, de cima a baixo, as lâmpadas, os candeeiros, os focos, as lanternas de mão, os candelabros quando os havia, talvez mesmo alguma velha candeia de latão de três bicos, daquelas alimentadas a azeite, todas as janelas abertas e resplandecendo para fora, a jorros, um rio de luz como uma inundação, uma multiplicação de cristais feitos de lume branco, assinalando o caminho, apontando a rota da fuga aos desertores para que não se perdessem, para que não se extraviassem por atalhos. A primeira reacção dos responsáveis pela segurança dos comboios foi pôr de lado todas as cautelas, mandar pisar os aceleradores a fundo, dobrar a velocidade, e assim mesmo se começou por fazer, com a alegria irreprimível dos motoristas oficiais, os quais, como é universalmente conhecido, detestam ir a passo de boi quando levam duzentos cavalos no motor. Não lhes durou muito a correria. (P. 85)

A limpeza das ruas

O editorial foi lido, a rádio repetiu as passagens principais, a televisão entrevistou o director, e nisto se estava quando, meio-dia exacto era, de todas as casas da cidade saíram mulheres armadas de vassouras, baldes e pás, e, sem uma palavra, começaram a varrer as testadas dos prédios em que viviam, desde a porta até ao meio da rua, onde se encontravam com outras mulheres que, do outro lado, para o mesmo fim e com as mesmas armas, haviam descido. (P. 102)

fjs

fjs

fjs

Pilar diz que Saramago antecipou acontecimentos nos países árabes
(Público)

*

Un tempo nuovo
L'Unitá

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publicado por Fundação Saramago às 07:43


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