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A Casa José Saramago - Lanzarote

Quinta-feira, 30.06.11

fjs

A Casa feita de livros pode ser visitada de segunda a sábado, das 10 às 14.30 Horas. Também pode percorrê-la virtualmente. Este é o seu endereço: www.acasajosesaramago.com

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publicado por Fundação Saramago às 06:25

Parabéns Gonçalo

Terça-feira, 28.06.11

fjsGonçalo M. Tavares foi galardoado com o Grande Prémio APE com o livro Uma Viagem à Índia, editado pela Caminho.

Este Prémio, já entregue aos grandes escritores portugueses - José Saramago recebeu-o em 1992 - é outorgado pela Associação Portuguesa de Escritores, com uma periodicidade anual. Distingue obras já publicadas, um livro, um autor por ano.

Com Uma Viagem à Índia, livro que a crítica portuguesa considerou uma obra-prima, o prémio honra-se a si mesmo.

Gonçalo M. Tavares recebeu o Prémio José Saramago pelo seu livro Jerusalém. Nesssa altura, o escritor mais velho escreveu sobre o escritor mais jovem o texto que se pode ler em continuação e no qual augura que Gonçalo M. Tavares será o próximo Prémio Nobel português:

Gonçalo M. Tavares

José Saramago

A nova geração de romancistas portugueses, refiro-me aos que estão agora entre os 30 e os 40 anos de idade, tem em Gonçalo M. Tavares um dos seus expoentes mais qualificados e originais. Autor de uma obra surpreendentemente extensa, fruto, em grande parte, de um longo e minucioso trabalho fora das vistas do mundo, o autor de O Sr. Valéry, um pequeno livro que esteve durante muitos meses na minha mesa de cabeceira, irrompeu na cena literária portuguesa armado de uma imaginação totalmente incomum e rompendo todos os laços com os dados do imaginário corrente, além de ser dono de uma linguagem muito própria, em que a ousadia vai de braço dado com a vernaculidade, de tal maneira que não será exagero dizer, sem qualquer desprimor para os excelentes romancistas jovens de cujo talento desfrutamos actualmente, que na produção novelesca nacional há um antes e um depois de Gonçalo M. Tavares. Creio que é o melhor elogio que posso fazer-lhe. Vaticinei-lhe o prémio Nobel para daqui a trinta anos, ou mesmo antes, e penso que vou acertar. Só lamento não poder dar-lhe um abraço de felicitações quando isso suceder.

In O Caderno de Saramago

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publicado por Fundação Saramago às 05:17

Uma oliveira na cidade

Segunda-feira, 27.06.11

fjsNo dia 18 de Junho passado, numa cerimónia simples, as cinzas de José Saramago foram colocadas à sombra de uma oliveira, no popular Campo das Cebolas, em Lisboa, em frente à Casa dos Bicos, histórico edifício de arquitectura civil onde ficará sediada a fundação cultural. Saramago foi um fortíssimo reflector das almas, das luzes e das sombras dos homens. Um extraordinário cidadão do mundo, amante da cidade e da cidadania plena. Com plena humanidade, na sua lápide a frase “Mas não subiu para as estrelas, se à terra pertencia”. Deixou uma obra enorme, uma obra para o futuro com a força do passado.

À sombra de uma oliveira. Da Azinhaga, aldeia ribatejana onde nasceu. A oliveira é símbolo mediterrâneo por excelência, padrão de cultura, de riqueza, de resistência e de longevidade. Elementos também chave para uma cidade, como a muy antiga Lisboa, filha de Roma e de Atenas, ardilosamente tecida por longos séculos, por entre uma fértil e bela região envolvente, uma crescente vastidão marítima e uma população variada e disponível. E entre cristãos-velhos e judeus-novos, diversidades e uniformidades, alegrias e iniquidades.

“Lisboa ali estava, oferecida na palma da terra, agora alta de muros e casas. A barca aproou à Ribeira, fez o mestre manobra para encostar ao cais depois de ter arriado a vela, e os remadores levantaram num só movimento os remos do lado da atracação, os do outro lado harpejaram a amparar, mais um toque no leme, um cabo lançado por cima das cabeças, foi como se tivessem juntado as duas margens do rio” (in Memorial do Convento).

Este gesto de Lisboa tem um imenso significado. Pela atenta homenagem a quem ama a cidade: “Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. Memória que é a de um espaço e de um tempo, memória no interior da qual vivemos, como uma ilha entre dois mares: um que dizemos passado, outro que dizemos futuro” (in Palavras para uma cidade). E Saramago regressou à cidade que amava, renovando esperanças com ela, mesmo se uma parte dela o tivesse exilado.

Pela força cultural e política da obra do homem e escritor. Uma obra em prol da cidadania. A cidade é espelho de nós próprios, como indivíduos e como colectivo. Mas tem sido colonizada por capitalismos extremos, por tecnicismos corporativos, por consumismos banalisadores de desejos. E ainda vêm tempos mais difíceis, bem se sabe. De novo, histórias de cerco à cidade. Muita cegueira, na nossa caverna. E tão necessária lucidez.

A lucidez, tal como a cidade e a cidadania – e a oliveira –, é trabalho longo e de fundo. Tanto necessita de estratégias de longo prazo como de intimidades quotidianas. Por entre a precariedade laboral, as hipotecas e os hipermercados, os desprezos e as esquizofrenias mediatico-políticas, os cidadãos das cidades futuras serão mais cosmopolitas e mais exigentes. Mais empenhados e dispostos a fazerem o gesto, a dizerem a palavra: “os vivos ainda têm tempo (...) para dizerem a palavra, para fazerem o gesto, Que gesto, que palavra, Não sei, morre-se de não a ter dito, morre-se de não o ter feito” (in O ano da morte de Ricardo Reis).

Para que as cidades sejam mais vivas, justas e criativas. Para que sejam cidades onde se conjuguem diferenças e compromissos, e onde se construam projectos. Para que sejam cidades bem governadas. E para que cada um dos seus lugares possa ser lugar de desejo e de realização. De Liberdade.

“Sabemos muito mais do que julgamos, podemos muito mais do que imaginamos”. Pois “somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não” (in entrevistas).

E pela postura de uma cidade que, assumidamente, defende princípios e valores. Uma cidade verdadeiramente política. Não há política sem cidade. E vice-versa. Cada cidade fará as suas escolhas, por entre um futuro fragmentado, receoso e insustentável, ou um futuro mais inclusivo, plural e cosmopolita. E “Lisboa tem-se transformado nos últimos anos, foi capaz de acordar na consciência dos seus cidadãos o renovo de forças que a arrancou do marasmo em que caíra” (in Palavras para uma cidade). Prossigamos, assim, com o trabalho longo de construir comunidade, com a força e a frescura de uma oliveira.

João Seixas
Geógrafo
In Público, 27 de Junho de 2011

 

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publicado por Fundação Saramago às 20:11

Cain - Reino Unido

Segunda-feira, 27.06.11

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publicado por Fundação Saramago às 08:58

Káin - Hungria

Segunda-feira, 27.06.11

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publicado por Fundação Saramago às 08:55

The Elephant's Journey - Reino Unido

Segunda-feira, 27.06.11

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publicado por Fundação Saramago às 08:13


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A Casa dos Bicos

A Casa dos Bicos, edifício histórico do século XVI situado na Rua dos Bacalhoeiros, em Lisboa, é a sede da Fundação José Saramago.

A Casa dos Bicos pode ser visitada de segunda a sábado, das 10 às 18h (com última entrada às 17h30).
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