Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

En Español


3 Anos de Canal Q

Sábado, 30.03.13

O Canal Q cumpre três anos de vida e, para celebrar a data, convidou A Naifa para uma revisitação colectiva da Inquietação, de José Mário Branco. Da Fundação José Saramago seguem, para toda a equipa do Canal, e já agora para as Produções Fictícias, que por estes dias comemoram 20 anos, as felicitações por mais um aniversário, esperando que muitos mais lhe sucedam.

Autoria e outros dados (tags, etc)

tags:

publicado por Fundação Saramago às 01:35

Saramago, o apóstata ou as «ondulações profundas do espírito humano»

Sexta-feira, 29.03.13

A igreja católica é notícia estes dias: o novo papa, os seus modos e as suas palavras que parecem romper com tradições arreigadas na instituição que contradiziam o espírito evangélico, ainda que estivessem baseadas em normativas legais tão caducas como ofensivas. Um delas é a censura – o famoso Index librorum prohibitorum et expurgatorum – que pensávamos abolido com o Concílio Vaticano II e que, no entanto, continua vigente em algumas instituições dependentes da igreja. Assim, há pouco, soube-se que mais de 700 livros de autores portugueses de todos os tempos estavam proibidos ou eram de leitura desaconselhada para os membros numerários ou supranumerários do Opus Dei, entre eles a maior parte da obra de José Saramago. O professor e ensaísta Miguel Koleff, especialista em Literatura em Língua portuguesa e investigador do corpussaramaguiano, reflecte sobre este comportamento, gerador de conflitos morais e demonstrativo de que o medo de pensar livremente continua alojado em grupos fechados onde talvez não entre nem a luz nem o espírito.

A notícia deste Index chegou à Argentina e o professor Koleff sentiu-se na obrigação de escrever e contextualizar. Não sabemos se o artigo do professor argentino da Universidade Nacional de Córdoba foi lido pelo cardeal de Buenos Aires e actual Papa, de qualquer modo, aqui o reproduzimos, hoje Sexta-feira Santa, com a esperança de que seja motivo para reflexão. Que chegue ou não a Roma não depende de nós, simples divulgadores de um pensamento – o de Koleff – magoado por tantas amputações como as que a igreja oficial tem vindo a gerar ao longo dos anos, desde o século de ferro, e que o Concílio de todas as esperanças não conseguiu superar diante da penas e do desconcerto dos que pensavam numa igreja libertadora e numa teologia do espírito.

Pilar del Río

--

Saramago, o apóstata ou as «ondulações profundas do espírito humano» (1)

Miguel Koleff (2)

E no entanto, com desconcertante ingenuidade, aquí andamos perguntando-nos, uma vez mais, como é possível que tenha regressado o flagelo, quando o considerávamos extinto para sempre; em que mundo terrível continuamos a viver, quando tanto tínhamos acreditado haver progredido na civilização, cultura, direitos humanos, e outros avanços.

(J.S.)

Há poucos dias deparámo-nos com a notícia de que a Inquisição não desapareceu de todo. É certo que não se vêm forcas na praça pública e que as procissões religiosas não se vitoriam com cantos de triunfo pelo castigo do infractor, seguramente algum ímpio desses que nunca faltam… Alguns teóricos chegam a sustentar que práticas que se supõem desterradas apenas estão disfarçadas com novas roupagens. O caso das redes de prostituição assim o evidencia como também as formas de escravidão que de tempos a tempos vêm a lume em fábricas clandestinas onde se cozinha o destino dos pobres.

Ora bem, a lista de livros proibidos elaborada pela Opus Dei não deixa de ser escandalosa. E isto porque um sector poderoso da Igreja Católica acredita todavia ser capaz de recomendar as leituras a que devem ter acesso os seus fiéis e fustigar contra o livre arbítrio que determina as opções pessoais. O curioso nessa lista – e o que chamou a minha atenção – é a presença de doze romances de José Saramago entre os textos censurados. Ainda que o facto – em minha opinião – seja uma propaganda a favor do escritor português, não deixa de ser irritante o critério de legitimidade com que essa instituição religiosa avalia o cânone literário e decide sobre o seu valor escritural.

Certamente os textos incluídos na lista negra ofendem os princípios morais da instituição pondo em cheque o seu ordenamento mental e material. Assim pode entender-se que o autor de O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991) e Caim (2009) desacredite nesses romances certas versões consagradas da história oficial do cristianismo cujos interesses há que defender. Não importa – então – o seu estatuto ficcional, a sua lógica de composição e a sua inovação formal; fazem pensar de forma diferente da habitual e esse é o pecado imperdoável que não merece redenção. É mais fácil condenar o acerto narrativo de um autor que repensar e desconstruir as verdades capciosas que continuam a fazer caminho.

Certamente não se trata de defender Saramago, que pode fazê-lo por si através da sua obra, mas sim de impugnar a intolerância ainda presente no nosso tempo por instituições que avassalam com estereótipos integristas e reaccionários o pensamento crítico, sem ao menos pronunciar uma palavra em sentido contrário. Se é certo que – como afirmava o autor – “a intolerância, depois de tantas provas dadas, apresenta-se-nos como uma expressão tragicamente configuradora da espécie humana e dela inseparável, e provavelmente tem raízes tão antigas como o momento em que se produziu o primeiro encontro entre uma horda de pitecantropos louros com outra de pitecantropos negros”, o que neste caso perturba é que se torne pública e impune e que assegure a vigência de uma voz que não parou de criar divisões e rupturas na sociedade.

É incrível ter de recordá-lo outra vez mas uma sociedade democrática constrói-se a partir de uma diferença responsável que não surge de imperativos ditados ao ouvido. Há uma passagem de Ensaio sobre a Lucidez (2004) em que um dos seus personagens célebres, o comissário, decide deixar de actuar como estava habituado – vigiando e castigando, para utilizar os termos de Foucault – porque se convence de que não pode contribuir para a ordem social cumprindo forçosamente mandatos emitidos pelos seus superiores e que não condizem com a sua própria razoabilidade. Quando lhe perguntam porque o faz, porque se afasta da obediência devida, afirma: “Nascemos, e nesse momento é como se tivéssemos firmado um pacto para toda a vida, mas o dia pode chegar em que nos perguntemos Quem assinou isto por mim” Seria muito bom, no meu ponto de vista, que ao menos um dos destinatários da ominosa lista fosse capaz de fazer-se esta pergunta ajudando a erradicar um dos miseráveis males da humanidade, a censura.

É claro que apelar ao valor e à importância dos romances de José Saramago tendo em conta a sua profusa produção é impossível de resumir nestas escassa linhas. Que fique então a intenção de devolver ao seu justo lugar a dignidade de uma escrita, afastando-a da humilhação a que foi submetida em nome do horror e da mordaça de consciência que aguça a impostura deste enclave religioso que – uma vez mais – dá que falar.

____________________________________

1 Saramago, J. (2006). Descubrámosnos los unos a los otros. In J. Saramago, El nombre y la cosa (pp. 55-65). México: FCE. – Tradução do original em espanhol
2 Ensaista e professor da Universidade Nacional de Córdoba, especialista em Literatura em Língua Portuguesa e investigador do corpus saramaguiano

Cátedra libre José Saramago

--

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Fundação Saramago às 12:26

A Estátua e a Pedra em destaque no jornal Canarias 7

Sexta-feira, 29.03.13

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Fundação Saramago às 11:00

Casa dos Bicos aberta na sexta-feira e no sábado das 10h00 às 18h00

Quarta-feira, 27.03.13

A Fundação José Saramago vai ter as portas abertas ao público na sexta-feira e no sábado, dias 29 e 30 de março, das 10h00 às 18h00. Com este horário vamos ao encontro dos insistentes pedidos de quem pretende visitar a Casa dos Bicos mas não pode fazê-lo nos dias úteis. Venha tomar um café connosco!

Como é habitual, o preço de entrada é de três euros, com desconto para dois euros para estudantes e enrada gratuita para maiores de 65 anos, menores de doze e para desempregados.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Fundação Saramago às 17:59

Homenagem a José Saramago na Feira do Livro de Bogotá já arrancou

Quarta-feira, 27.03.13

José Saramago vai ser homenageado na Feira do Livro de Bogotá (FILBo), que decorre de 18 de abril a 1 de maio próximos, num ano em que Portugal é o país convidado. No passado dia 19, o escritor nascido na Azinhaga foi tema de uma conferência do estudioso Fernando Galindo, enquadrada já na pré-programação da feira.

O lançamento mundial do livro  de José Saramago "A Estátua e a Pedra", acabado de editar pela Fundação José Saramago, será feito em Bogotá, durante a Feira, com a presença de Pilar del Río e Zeferino Coelho. Esta é uma das iniciativas que envolvem o nome do Nobel português na programação da Feira, organizadas quer pela propria FILBo quer pela representação portuguesa comissariada por Jeronimo Pizarro Jaramillo, investigador e professor universitário especialista na obra de Fernando Pessoa.

Um numeroso grupo de escritores portugueses desloca-se a Bogotá para este evento, em cuja sessão inaugural vai falar, em nome de Portugal, o escritor e ensaísta Vasco Graça Moura. Também no dia 18, Pilar del Río e a escritora Laura Restreppo inauguram a série de "Conversaciones que le cambiarán la vida", precisamente para falar da obra de José saramago

A imprensa colombiana á está a dar destaque à homenagem a José Saramago, tendo sido já publicados varios artigos. Entre eles, destacamos um trabalho divulgado no blogue da FILBo e uma reportagem no El País da Colômbia:

 

FILBo Blog

El País da Colômbia

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Fundação Saramago às 16:22

Edição de bolso de "Claraboia" da editora Alfaguara

Quarta-feira, 27.03.13

A editora espanhola Alfaguara acaba de dar à estampa a edição de bolso de Claraboia, romance de José Saramago concluído em 1953 e editado postumamente. O "livro perdido e achado no tempo" está desde março de 2013 disponível, agora, com a chancela da Punto de Lectura.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Fundação Saramago às 13:26


Pág. 1/9





Em Destaque

Ver todas as notícias

Amigos da Fundação José Saramago


Livraria/Loja da Fundação José Saramago


Sons da Fundação


Ainda

Ver todas as notícias

Blimunda


Serviço educativo



A Fundação
Somos o que diz o papel que José Saramago assinou em Lisboa em 29 de Junho de 2007. Somos a Fundação José Saramago.
Saber mais | E-mail

Pesquisa

Pesquisar no Blog  

A Casa dos Bicos

A Casa dos Bicos, edifício histórico do século XVI situado na Rua dos Bacalhoeiros, em Lisboa, é a sede da Fundação José Saramago.

A Casa dos Bicos pode ser visitada de segunda a sábado, das 10 às 18h (com última entrada às 17h30).
Ler mais


A Casa José Saramago em Lanzarote

A Casa feita de livros pode ser visitada de segunda a sábado, das 10 às 14h30. Também pode percorrê-la virtualmente, aqui.

Receba a nossa newsletter


#saramago no Twitter



Arquivo mensal

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

Subscrever por RSS


TripAdvisor

Parceiros institucionais:

Parceiro tecnológico:

Granta