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Saramago em "Claraboia" - Apresentação na Cidade do México e em Los Angeles

Domingo, 13.05.12

A edição em castelhano de Claraboia, o romance de José Saramago perdido e achado no tempo, está em destaque na Cidade do México e em Los Angeles. No próximo dia 8 de maio, na Librería del Fondo Rosario Castellanos (Cidade do México), pelas 19.30 Horas, Pilar del Río e Jorge F. Hernández apresentarão a obra. A 13 de maio, na LéaLA, Feira do Livro em Espanhol de Los Angeles, o Salón Miguel de Cervantes acolhe a apresentação de Claraboia, por Pilar del Río e Marisol Schulz.

Aqui deixamos os convites para ambas as sessões:

O diário mexicano Milenio publica um texto de Jorge F. Hernández, escritor e professor, que apresentará Claraboia na Cidade do México, e que aqui reproduzimos:

Claraboia

Janela aberta nos tetos, entre os telhados de barro vermelho cozidos pelo sol e por tanta vida que se transpira sob os seus entardeceres inclinados, de onde amanhece precisamente no olhar de quem dormiu julgando-se resguardado dos olhos do mundo. A claraboia, que se pensava ser o nome das vigias dos barcos, olho-de-boi com os parafusos marcando como pestanas ou ramelas o caminhar das ondas... na realidade, é o caminhar das horas o que as claraboias, nos tetos de Lisboa, veem, cidade que é sonho de cada vez que o sol se esconde na linha da margem mais distante do rio Tejo, da qual toda a cidade parece uma complexa paisagem de tons púrpura em que as lágrimas de todas as gerações de homens sós harmonizaram o salitre que banha as fachadas outrora brancas e os azulejos onde se narram cenas de um idílio anónimo que é uno e o mesmo.

Não é segredo recordar que Lisboa é o porto onde encalharam as melhores estórias de apaixonados convictos de que lhes falta o tempo e os sorrisos intemporais das crianças que falam com os pinguins como se acabassem de içar a bandeira de um barco pirata sobre o labirinto das calçadas, onde se revelam todas as almas, todas as verdades de todas as almas que são como pedras diminutas que formam o mosaico perfeito de uma cidade que se lê com a alma.

Aos trinta e um anos de idade, três décadas e uma noite inteira, um jovem romancista entregou a uma editora, de cujo nome não quero recordar-me, um belo manuscrito amarrado com fio amarelo e que tinha por título em português Clarabóia, romance assinado como Honorato e dedicado À memória de Jerónimo Hilário, meu Avô. Como costuma acontecer nos cúmulos da insensatez e do desprezo, o romance talvez nem tenha sido lido; foi guardado numa estante, depois passou para uma prateleira que deu lugar a um baú empoeirado... enquanto o autor esperava em vão, vendo passar a vida como uma claraboia no telhado do seu próprio desassossego. Passariam vinte anos até que o jovem autor ganhasse ânimo para voltar a entregar a uma editora algo escrito pelo seu punho, ainda que as letras – agora em verso ou em ingénua tendência para a prosa – lhe chegassem como chuviscos diários, embora Clarabóia– esse primeiro romance onde havia deixado navegar a sua íntima e primeira ilusão de autor – continuasse no silêncio imperdoável do esquecimento numa editora que teria outras preocupações e outras estratégias de mercadotecnia e de números... sempre números.

Na realidade, Honorato era José Saramago e dedicou o seu primeiro e quase esquecido romance a Jerónimo Hilário, o avô que viria a ser mencionado na primeira linha do discurso com o qual Saramago recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1998: «O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever...» e hoje encerra-se o círculo com a publicação, sob a chancela da Alfaguara, de Clarabóia, primeiro romance do jovem José Saramago a quem dou as boas-vindas neste parágrafo, augurando-lhe prémios e reconhecimentos vários, mas sobretudo milhares de leitores que hão de formar o círculo do que de facto sustenta a sua deslumbrante obra-prima: ocorreu-lhe escrever um romance a partir do qual o olhar do romancista é nada menos do que a janela que permite ao leitor seguir as vidas de um punhado de personagens entranhantes que fiam com a sua existência quotidiana a trama do mundo. Esquecemo-nos que os nervos de um sapateiro, as pressas de uma costureira, os amores de uma dona de casa, os horários de um burocrata, o sonho profundo das avós e todas as imensas minúcias que se vivem de andar em andar, de apartamento em apartamento, enformam a Babel que vemos a partir da claraboia e o espelho que todos temos no teto das nossas cabeças. Aos trinta anos, Saramago já prenunciava a sua apaixonada literatura, que procurava gritar contra as ditaduras, que se movia como música de Beethoven e que tentava responder a uma das muitas perguntas formuladas por Fernando Pessoa: «Queriam-me casado, fútil e tributável? » ou avançar para o que hoje celebramos: Será possível livrarmo-nos do silêncio dos editores, quebrar a rotina, escrever todas as noites, cortar de novo as amarras, encontrar alguém que nos leia... e tornarmo-nos imortais?

Jorge F. Hernández

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LéaLA celebrates Spanish-language books this weekend
Los Angeles Times

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Presentan “Claraboya”, el libro perdido de José Saramago
La Crónica de Hoy(México)

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Milito con José Saramago las 24 horas del día, refrenda Pilar del Río
La Jornada (México)

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Claraboya, un libro inédito y póstumo de José Saramago
Fondo de Cultura Económica

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Es "Claraboya" libro inédito del extinto escritor José Saramago
La Razón

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publicado por Fundação Saramago às 17:15





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