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Palavras de Saramago


Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez apresentados em Pequim

Quinta-feira, 10.04.14

No dia 11 de março, o Instituto Cervantes de Pequim recebeu a sessão de apresentação de duas novas publicações de autoria de José Saramago na China. O relato da sessão chega-nos através da Rádio Internacional da China:

"O grande escritor português, José Saramago, reestreia no palco literário da China com a publicação de versões chinesas de duas de suas obras: o Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez. O primeiro foi republicado e, o outro, editado agora pela primeira vez. Ambos foram traduzidos pelo sr. Fan Weixin, condecorado pelo ex-presidente português, Jorge Sampaio, em 1997.

Na cerimônia de lançamento, realizada em 11 de março no Instituto Cervantes, em Beijing, foram convidados o escritor titulado com o Prêmio Man Booker Internacional, Yan Lianke, o comentarista literário, Zhi'an e a jovem escritora, Ren Xiaowen, que compartilharam com dezenas de leitores chineses seus próprios entendimentos e sentimentos sobre as obras do mestre, assim como o valor da essência das obras de José Saramago.

Ensaio sobre a Cegueira é uma das obras mais bem conceituadas de José Saramago e o tornou o único escritor do mundo lusófono a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Já incluída na lista dos "Cem Melhores Livros de Todos os Tempos", do Instituto Nobel, esta obra conta uma história de ficção. Na situação imaginária criada por Saramago, uma cidade inteira sofre uma epidemia de cegueira. Com o alastramento da doença, cada vez mais pessoas são contagiadas, passando a ter o escuro absoluto como companhia diuturna. Em consequência, a sociedade local cai no caos completo. As pessoas perdem dignidade e civilidade, passando a viver como animais. Num ambiente extremo, a natureza humana é questionada em seus mais primordiais referenciais, expondo animalescos desejos, que escaparam aos atentos olhos da vigilância social.

O escritor Yan Lianke leu o Ensaio sobre a Cegueira há 18 anos. Para ele, que leu a obra em uma sentada, o romance não ofereceu enredo complicado, mas causou-lhe indelével impacto. Segundo Yan, a grandeza de José Saramago reside no fato de que este deu vida e voz a uma ideia inusitada e até absurda, a de que os seres humanos retornam ao seu status original, revelando beleza e fealdade na conduta de pessoas, através da exposição constrangedora de peculiaridades que somente a miséria moral e socioemocional poderia oferecer.

Para os livros alegóricos, é mais cômodo e até mais fácil elaborar sátira afiada, mas o difícil é provocar emoções. Comparado com o La Peste, do escritor francês Albert Camus e 1984, do britânico George Orwell, Ensaio sobre a Cegueira consegue integrar, em si, dois aspectos: acionar o alarme da consciência e, ao mesmo tempo, comover a todos. "Neste sentido, José Saramago até supera George Orwell e Albert Camus", concluiu Yan Lianke.

O erudito Zhi'an comparou Ensaio sobre a Cegueira com o livro bíblico Gênesis, considerando que este é uma epopeia da civilização humana e, aquele, uma retrospectiva do processo de civilização humana.

Devido ao toque épico que enseja, muitos leitores comparam a obra de José Saramago a Cien Anõs de Soledad, de autoria de Gabriel Garcia Marquez, que atualmente desfruta de significativa repercussão na China. Quanto a essa comparação, Zhi'an opinou: "Marquez descreveu apenas a história de centenas de anos da América Latina mas, Saramago, todo o espectro da humanidade".

Outra característica de José Saramago é sua grande capacidade de combinar a rica imaginação e as experiências da vida, o que faz com que os seus leitores mergulhem em uma realidade absurda, sem estranheza. Como contou ele próprio, tudo o que aconteceu nesta obra pode encontrar-se na realidade. A alquimia entre o surrealismo e o realismo definiu a posição de José Saramago como grande mestre literário. Com perspicácia singular e penetrante, ele consegue pensar em coisas que outros não imaginaram, e descobrir o que outros não veem.

"Parece que havia um feixe de luz na mente de José Saramago, que iluminou todos os cantos sem perder nenhum pormenor", disse Zhi'an.

Para Yan Lianke, os grandes escritores "têm que ser uma pedra de tropeço para o progresso de outros escritores". E José Saramago é exatamente essa "pedra" para os escritores chineses. Após ler o Ensaio sobre a Lucidez, Yan Lianke repensou a literatura chinesa. Este romance conta uma farsa de sufrágio realizada na cidade, quatro anos depois de vencida a epidemia de cegueira, denunciando de forma profunda as contradições da democracia e da liberdade na sociedade humana. Da criação literária, à maneira de narrar, o português deu uma lição. Ao fazer uma introspecção sobre a literatura nacional, Yan Lianke falou: "Costumamos evitar a política e evitar os temas como democracia e liberdade. Para nós, uma obra literária tem de evitar a política. O Ensaio sobre a Lucidez prova exatamente que a política também pode ser um dos temas na criação literária."

Em 2014, serão traduzidas e publicadas na China mais obras de José Saramago, a saber, Memorial do Convento, História do Cerco de Lisboa, O Homem Duplicado e As Pequenas Memórias."

Notícia publicada na Rádio Internacional da China

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publicado por Fundação Saramago às 13:35

Exposição "Lanzarote, a janela de Saramago" abre no dia 10 de abril

Quarta-feira, 09.04.14

Na próxima quinta-feira, dia 10 de abril, João Francisco Vilhena inaugura em Lanzarote a exposição Lanzarote, a janela de Saramago, composta por 29 imagens captadas pelo fotógrafo em dois momentos distintos. Em 1998, após o anúncio da atribuição do Prémio Nobel a José Saramago, e em 2013, quando o fotógrafo voltou à ilha das Canárias para percorrer os lugares onde havia retratado o Escritor.

“Depois de fotografar José Saramago em Lanzarote fiquei com a ideia de um dia voltar, com mais calma, e ampliar de alguma maneira aquele trabalho. Achava que nos Cadernos de Lanzarote havia muitas leituras a serem feitas. Mas o tempo foi passando, se calhar eu também ainda não estava preparado, e foi só em 2012 que retomei a esse projeto”, explica Vilhena.

© João Francisco Vilhena© João Francisco Vilhena

Neste novo trabalho, Vilhena junta as suas consagradas fotos a preto e branco – que foram expostas em Estocolmo aquando da entrega do Nobel ao Escritor – a outras imagens inéditas do autor de A Jangada de Pedra, na ilha das Canárias. E coloca-as em diálogo com fotos recentes, feitas quando revisitou Lanzarote, já sem a presença do Escritor. Às imagens de Saramago e do cenário vulcânico, Vilhena acrescenta trechos extraídos dos Cadernos de Lanzarote, escritos entre 1993 e 1997.

“Esta exposição talvez seja capaz de mostrar, em imagens, a harmonia e a paz encontradas por José Saramago em Lanzarote. Também retrata o tamanho da sua ausência”, disse Pilar del Río ao ver as fotografias.

A exposição é financiada pelo Turismo de Arrecife, pelo Cabildo de Lanzarote, e conta com o apoio da Fundação José Saramago, da Casa José Saramago, do Instituto Camões e do Consulado Português em Barcelona.

Lanzarote, a janela de Saramago permanecerá na Sala de Exposições Charco de San Ginés, em Arrecife, Lanzarote, até 14 de maio. Também em maio, parte dela estará no LeV (Festival de Literatura em Viagem) de Matosinhos. No dia 10 de junho, Dia de Portugal, a exposição será inaugurada em Barcelona.

João Francisco Vilhena é autor do livro Lanzarote, a janela de Saramago, com apresentação marcada para o mês de maio em Portugal, numa edição da Porto Editora.

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publicado por Fundação Saramago às 13:31

Actividades da Cátedra José Saramago Extra-muros, de Córdoba - Argentina

Quarta-feira, 09.04.14

De abril a novembro, a Cátedra José Saramago Extra-muros, de Córdoba (Argentina), organiza uma série de sessões sobre o tema "De Fernando Pessoa a José Saramago: um percurso literário", nas quais participam professores, investigadores e estudiosos da obra dos dois escritores portugueses.

Na primeira sessão, que terá lugar a 11 de abril, Miguel Koleff, autor do livro "La Caverna de José Saramago: una imagen dialéctica", proferirá uma conferência sobre a Poesia dos Heterónimos: Alberto Caeiro.

Aqui fica o programa completo:

Cátedra José Saramago Extra-muros
Centro Cultural España Córdoba

Agenda 2014

De Fernando Pessoa a José Saramago:

Un recorrido literario
(A 30 años de El año de la muerte de Ricardo Reis)

11 de Abril – Casa de Pepino
Poesías de los heterónimos: Alberto Caeiro
Miguel Koleff

16 de Mayo – CCEC- 19 hs.
Poesía de los heterónimos: Alvaro de Campos
Clara Ryfenholz

13 de Junio – CCEC – 19 hs.
Poesía de los heterónimos: Ricardo Reis
Ximena Rodríguez

22 de Agosto – Casa de Pepino
Prosa de los heterónimos: Bernardo Soares
Miguel Koleff

Sábado 23 de agosto (por la mañana) (lugar a confirmar)
Taller de lectura
Graciela Castañeda

12 de Setiembre – Casa de Pepino
De Ricardo Reis a José Saramago
Ximena Rodríguez

17 de Octubre – Casa de Pepino
La Lisboa de José Saramago
Marisa Piehl

21 de Noviembre – Casa de Pepino
1936: el año de la muerte de Ricardo Reis
Graciela Perrén

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publicado por Fundação Saramago às 12:32

Assim começa Abril na Fundação José Saramago

Segunda-feira, 31.03.14

Abril será um mês de muitas atividades na Fundação José Saramago. A celebração dos 40 anos do 25 de Abril, momento mais importante da história recente de Portugal, é tema da maioria dos eventos a serem realizados na Casa dos Bicos. O primeiro deles, já no dia 1 de Abril, é a conferência do catedrático português Boaventura de Sousa Santos, que apresentará o seu livro Se Deus fosse um activista dos Direitos Humanos. A sessão terá lugar às 18h30, no auditório da Fundação, e contará com a presença de Manuel Carvalho da Silva e de José Pacheco Pereira.

 

A sessão tem entrada gratuita, sujeita à lotação da sala. Aqui fica o convite.

 

No dia 2 de Abril é a vez do teólogo espanhol Juan José Tamayo apresentar o seu livro Cincuenta intelectuales para una conciencia crítica. A sessão, que também tem início às 18h30, contará com as presenças de Boaventura de Souza Santos e de Frei Bento Domingues.  

 

No dia 3 de Abril, quinta-feira, o auditório da Casa dos Bicos receberá o escritor português João Tordo (Prémio José Saramago de 2009), que apresentará o seu mais recente romance, Biografía involuntária dos amantes. Para apresentar o livro estará presente José Eduardo Agualusa.

 Todos os eventos terão início às 18h30. São gratuitos, sujeitos à lotação da sala.

 

Veja a programação completa do mês: 

40 Anos do 25 de Abril na Fundação José Saramago by Fundação José Saramago

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publicado por Fundação Saramago às 12:02

ちっちゃな回想録 - As Pequenas Memórias - Sairyusha, Japão

Segunda-feira, 31.03.14

A editora japonesa Sairyusha deu à estampa As Pequenas Memórias, neste que é o quarto título disponível para os leitores de José Saramago no Japão.

Veja aqui mais sobre As pequenas memórias.

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publicado por Fundação Saramago às 10:53

Texto #20: "Apaixono-me sempre pelas minhas personagens femininas"

Segunda-feira, 31.03.14

 

TEXTO #20: 

"Eu apaixono-me sempre pelas minhas personagens femininas."

José Saramago, em entrevista ao La Vanguardia, Barcelona, 1986, in José Saramago nas Suas Palavras (2010)

 

Durante todo o mês de março, a Fundação José Saramago recuperou palavras de Saramago sobre as mulheres. Neste último dia do mês, a título de encerramento, escolhemos um trecho do espanhol Fernando Gómez Aguilera, grande conhecedor da obra de Saramago, sobre as personagens femininas do escritor português.  


"Humildes e leais, generosas e autênticas, nelas se depositam os méritos que Saramago mais valorizava, representando, no seu conjunto, a humanidade desejada, ao mesmo tempo que são implicitamente confrontadas com o modelo de homem face ao qual se mostram mais robustas tanto na sua alma como nas suas ações. Trata-se de grandes personagens credíveis, carnais, que não reúnem virtudes idealmente, mas que se perfilam através de comportamentos humanos, sem sublinhados nem negritos. E para confirmar isso aí estão, brilhando nas suas páginas, Blimunda, Lídia, Maria Sara, Maria Guavaira, Joana Carda, Maria Madalena, a mulher do médico, Marta, Isaura..."

Fernando Gómez Aguilera, in José Saramago nas Suas Palavras (2010)

 

Veja os textos anteriores:

TEXTO #1
TEXTO #2
TEXTO #3
TEXTO #4
TEXTO #5
TEXTO #6
TEXTO #7
TEXTO #8
TEXTO #9
TEXTO #10
TEXTO #11
TEXTO #12
TEXTO #13
TEXTO #14
TEXTO #15
TEXTO #16
TEXTO #17
TEXTO #18
TEXTO #19

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publicado por Fundação Saramago às 10:42





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A Casa dos Bicos, edifício histórico do século XVI situado na Rua dos Bacalhoeiros, em Lisboa, é a sede da Fundação José Saramago.

A Casa dos Bicos pode ser visitada de segunda a sábado, das 10 às 18h (com última entrada às 17h30).
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