3 anos depois da morte de José Saramago
A voz de José Saramago será ouvida no dia 18 de junho em dezenas de cinceclubes, bibliotecas e associações de todo o país, que desta forma se juntam para celebrar a vida e a obra do Escritor, através da projecção de José e Pilar.
Na Fundação que leva o seu nome, será exibida a versão de cinco horas do filme de Miguel Gonçalves Mendes. A sessão terá início às 12h30 e contará com a presença do realizador.
Em Lanzarote, na Biblioteca do Escritor, no espaço onde escreveu os seus últimos livros, o violoncelista Damián Martínez Marco interpretará a Suite N.º 6 de Bach, peça que José Saramago cita no seu romance As Intermitências da Morte.
A entrada é livre, sujeita à lotação da sala.
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"José e Pilar" inaugura amanhã tardes de cinema na Fundação José Saramago
A partir de amanhã, os visitantes da Casa dos Bicos passam a contar com cinema na Fundação, sempre com filmes relacionados com José Saramago e sempre às quintas-feiras (15h30). Na primeira sessão, será exibido o documentário "José & Pilar" de Miguel Gonçalves Mendes, de 2010.
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"José e Pilar" em Londres
Em comemoração dos 90 Anos de José Saramago, o filme José e Pilar é exibido amanhã, dia 7 de dezembro, em Londres, integrando o programa do 3.º Festival de Cinema Português no Reino Unido.
A sessão terá lugar no Cine Lumière (Institut Français) pelas 18.20 e à projecção do filme segue-se uma conversa entre Pilar del Río e Maya Jaggi, jornalista do Guardian e responsável por mais de uma dezenas de entrevistas e artigos sobre do Prémio Nobel de Literatura, entre os quais José Saramago.
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Crítica a "Conversas Inéditas" no Brasil
"José e Pilar": do filme ao livro
Por Amir Labaki | De São Paulo, no Valor
"José e Pilar", de Miguel Gonçalves Mendes, está de volta, e agora sob a forma de livro, bem a tempo de abrir por aqui a celebração, em 16 de novembro, do 90º aniversário de nascimento de José Saramago (1922-2010). Com o subtítulo "Conversas Inéditas" (Companhia das Letras, 197 págs., R$ 34,50), a obra retoma entrevistas realizadas durante os quatro anos de produção do tocante documentário homônimo, lançado em salas há dois anos e disponível em DVD.
O livro é como um outro documentário, editado a partir de outra lógica, a lógica ditada pelo texto escrito, ou melhor, pela fala oral tornada texto escrito, mas não menos um documentário do que a primeira versão que nos maravilhou na grande tela.
Uma distinção estrutural se impõe. No filme, Saramago e Pilar del Río, sua inseparável mulher e tradutora, são retratados quase exclusivamente em momentos a dois, no cotidiano da casa na Ilha de Lanzarote e em viagens pelo mundo. O livro, por sua vez, alterna depoimentos separados, em capítulos que formam pares temáticos, precedidos por um prólogo de cinco breves capítulos organizados em torno de sonhos de Saramago.
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O Evangelho de José e Pilar
“Percebi que tínhamos nos tornado amigos quando o José começou a me zoar, a falar das minhas calças rasgadas, a brincar comigo”, conta o cineasta português Miguel Gonçalves Mendes, 33 anos. O José a quem ele se refere é Saramago (1922-2010) e a amizade em questão despontou durante a produção de José & Pilar, documentário que retrata a vida do escritor lusitano e de sua esposa, a espanhola Pilar del Río. Foram, na verdade, quatro anos de convivência, originando não somente o filme, como também o livro José e Pilar: conversas inéditas. Lançada em Portugal em novembro do ano passado, a publicação chega ao Brasil neste mês, trazendo entrevistas com o casal feitas por Miguel, que não couberam na película. “Eu tinha todo esse material, que achava magnífico e não ia ser usado. A opção foi o livro. Você sabe que ninguém fica rico publicando um livro desses, né?”, brinca. “Bom, não fica rico fazendo documentário também”, completa entre risos.
Mas, se no filme o cineasta é invisível, no livro, ele aparece bastante. Confessa seus medos e inseguranças, recebe afagos (quase sempre do português), puxões de orelha (geralmente da espanhola) e pede conselhos. “Sim, estou bem exposto. Mas não vejo problema. Nunca tentei parecer inteligente”, ressalta. Miguel conta que entrevistar José e Pilar separadamente, em sessões de três horas cada um, foi uma maneira de entrar pouco a pouco na intimidade do casal. Conseguiu que eles se abrissem e se aproximou deles também. No livro, as conversas giram em torno de vários temas, como a militância política, o ofício de escrever, o amor e a morte – e têm uma aura de bate-papo entre amigos. Outro ponto positivo é que permite aos leitores conhecer Pilar mais a fundo, uma mulher, como descreve Valter Hugo Mãe no prefácio do livro, “de opiniões rotundas e sensibilidade austera” e de uma inteligência “quase assustadora”.
Do inalcançável
O encontro inicial que viria a resultar em documentário e livro foi uma espécie de romance. Não faz muito tempo, Miguel precisava enfrentar filas para ter um autógrafo de Saramago. Até que um dia conseguiu o telefone da casa do Nobel. Ligou e quem atendeu foi o próprio. Explicou que estava fazendo um filme sobre a Galícia e disse que gostaria de sua participação lendo um trecho do Memorial do convento. “Venha, homem”, foi a resposta. Anos depois, entrou em contato novamente. Dessa vez, pretendia fazer um documentário sobre o escritor. Pretendia, também, mudar a imagem que se tinha de Saramago. “De alguma forma, queria que Portugal se pacificasse com ele, porque não acreditava que um homem que escrevia aqueles livros era a figura que pintavam. Ele tinha um grande sentido de humor, era maravilhoso, e acho que poucas pessoas sabiam disso.”
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Mostra de filmes de Miguel Gonçalves Mendes no City-Alvalade, em Lisboa
Na primeira noite, será exibido o filme "José e Pilar", e haverá debate com Pilar del Río, Nuno Artur Silva, Camané e Pedro Gonçalves. A sessão do fim da tarde inclui "D. Nieves" e "Batalha dos Três Reis", com Cintia Gil.
A 27 de julho, haverá uma sessão de curtas metragens e, à noite, "Nada Tenho de Meu", filme de 2012 que relata a viagem do realizador pelo Extremo Oriente com os escritores brasileiros Tatiana Salem Levy e João Paulo Cuenca. Luís Salvado e Rui Cardoso Martins estarão presentes no debate que se seguirá.
No sábado à tarde, é exibido "Autografia", um documentário sobre Mário Cesariny, e à noite "José e Pilar", com Pilar del Río presente na sessão. No domingo a ordem inverte-se: "José e Pilar às 15h30" e "Autografia" às 21h30.
"Floripes" é o filme de segunda-feira às 19h15, com João Monteiro e o padre Ismael Teixeira, seguido de "D. Nieves" e "Batalha dos Três Reis" à noite. Na terça, "Autografia" ao fim da tarde (com Valter Hugo Mãe e Rui Catalão presentes), e Curtas à noite, com Rui Pereira. A 1 de agosto, "Nada Tenho de Meu" e, a encerrar, "Floripes".




